A profissionalização e as mudanças mais profundas introduzidas nas academias de ginástica, ao longo dos últimos anos, trouxeram desafios gerenciais para as academias, principalmente relacionados aos equipamentos de ginástica, cada vez mais modernos e complexos.
No começo da década de 1990, começaram a surgir as primeiras bicicletas e esteiras com LEDs para orientar alunos e professores. Desde então, a evolução se manteve em ritmo acelerado. A invasão da tecnologia, dos computadores e da internet afetou diretamente a infraestrutura das academias.
Somado a esses fatores, veio a própria mudança de layout das organizações. "Se antes as aulas de solo dominavam, hoje elas dão espaço para espaços repletos de aparelhos", afirma o diretor comercial da Gymcorp, Marcello Lage.
Embora os fabricantes tenham sido responsáveis por toda essa evolução, eles começaram a enfrentar
outro desafio: garantir a manutenção de todo esse parque de equipamentos. Em muitas academias, o uso dos aparelhos é intenso e a gestão do fluxo de manutenção não é tarefa fácil.
Com a alta tecnologia empregada, os técnicos tradicionais, às vezes, não dão conta do trabalho. Com isso, surgiram as empresas de gestão do ativo em equipamentos de academia, como a própria Gymcorp.
Trabalhando em parceria com fabricantes, que se interessam em ter empresas cuidando da manutenção para poderem focar em seu negócio principal, que é produção e desenvolvimento de aparelhos, essas instituições desenvolveram um serviço que vai além do simples reparo.
A ideia é cuidar de todo o ciclo de vida dós equipamentos em determinado ambiente, desde a programação de quando serão feitas manutenções preventivas, assim como os consertos em casos de problemas.
Todas as ações geram informações importantes, coletadas pela prestadora de serviços, que as reúne em uma plataforma de dados para realizar análises. "Quando a academia tem o costume de fazer a manutenção com um técnico diferente a cada vez, ela se perde na coleta de informações sobre as atividades. Às vezes, os empreendimentos até possuem os dados, como é o caso das grandes redes, mas não têm ninguém que faça o cruzamento das informações", avalia Lage.
Ao analisá-las, o fornecedor passa a contar com indicadores importantes: quais os melhores equipamentos, aqueles que menos dão problema, quem são os melhores fabricantes, entre outros dados. No final, isso pode significar economia de recursos e menos horas de aparelhos parados
na manutenção.
A Academia 4fit, usuária de serviço terceirizado desde novembro do ano passado, costumava fazer apenas manutenções básicas antes de aderir à proposta. "Provavelmente, não aproveitávamos
tudo o que os equipamentos tinham para oferecer. Agora vou prolongar a vida útil dos aparelhos já existentes e ganhar eficiência de custos", afirma Denis Di Loreto, gerente operacional.
QUANTO DURA UM EQUIPAMENTO?
Ao planejar o investimento em uma academia, muitos proprietários preocupam-se somente com o custo
inicial, sem pensar em custo total de prioridade e planejamento do seu ativo. Para conseguir visibilidade, ter ideia sobre quanto dura um equipamento é importante. Mas essa pergunta não é tão fácil de ser respondida. "A resposta depende da intensidade de uso e de como a manutenção é realizada", diz Lage.
Para dar uma ideia, o executivo afirma que o período de descarte para equipamentos de ponta em academias fica em torno dos seis anos. "Isso se for aplicada boa manutenção preventiva, que chega a alongar a vida do equipamento em 30% a 50%". Depois desse tempo, o equipamento vai para o
mercado de usados.
MODELO DE NEGÓCIOS
A peculiaridade da gestão de aparelhos de ginástica gerou um modelo de negócios que pode acabar se revertendo em vantagens para a academia.

Como a empresa que faz a gestão vende serviços, a academia sabe que está pagando por cada peça o que ela realmente custa. No novo modelo de gestão, a empresa fatura peças diretamente para
a academia, indicando para o empreendimento diferentes cotações e procurando apontar os melhores fornecedores.
"Queremos ser apenas o meio do caminho, usando expertise de diagnóstico e experiência de quem tem
esse negócio como foco", diz Lage.
E quando a academia e a prestadora de serviços concordam que é hora de vender o equipamento, a própria gestora dos ativos se encarrega de realizar o negócio. Em alguns casos, os próprios fabricantes ficam com eles em negociações que envolvem aquisição de equipamentos novos com desconto.
Há também empresas especializadas em comprar aparelhos usados para revender. O destino desses equipamentos geralmente são academias menores, condomínios e outros tipos de organização que fazem uso menos intenso. Para muitos, é vantagem comprar um equipamento usado que custaria até quatro vezes mais se estivesse novo.
Matéria: Revista Fitness Business – Mai/Jun 2010
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